sábado, 17 de outubro de 2009

Bernardo Paz prevê fundo e doações de obras para museu de Inhotim...

Li essa matéria do MARCOS AUGUSTO GONÇALVES no Ilustrada da Folha e resolvi publicar no meu blog...

Empresário quer aprofundar dimensão pública da maior instituição de arte contemporânea do país.

Museu mineiro ao ar livre recebeu, no último fim de semana, artistas, curadores e galeristas para inaugurar novas obras e pavilhões.


No fim de semana passado, o Instituto Cultural Inhotim recebeu uma romaria de ilustres representantes do circuito de arte contemporânea. Centenas de convidados, entre os quais alguns dos mais prestigiados artistas, curadores e galeristas do mundo, desfilaram pelos jardins do luxuriante museu ao ar livre para presenciar a inauguração de nove instalações.
Foram recebidos pelo empresário Bernardo Paz, que concebeu e criou a instituição, plantada numa antiga fazenda em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Para júbilo do anfitrião, o fim de semana artístico foi precedido por uma boquiaberta reportagem da revista "Travel", do "New York Times", que chamava Inhotim de "nova maravilha do mundo".
Paz, 59, milionário do setor de mineração e siderurgia, começou a ganhar projeção no meio das artes no início dos anos 2000, quando se tornou um comprador agressivo de obras, com vistas a criar seu inusitado museu.
A ideia ganhou corpo depois que ele, em 1995, aos 45 anos, sofreu um derrame, em Paris -escala de uma de suas incontáveis viagens de negócios à China. "Eu realmente vi que as pessoas morrem e fiquei com a sensação clara de que aquele não era mais meu caminho."
Alguns anos depois, já não tinha dúvidas sobre abrir uma coleção de arte para o público nos jardins que construía em Inhotim -propriedade comprada em 1984. Foi o artista Tunga quem o incentivou a investir em arte contemporânea. "Ele dizia que a arte moderna estava virando enfeite na parede e que a arte contemporânea tinha vindo para ficar."
Paz percebeu que os 40 hectares de Inhotim eram propícios a abrigar grandes instalações em meio à natureza -um tipo de obra que poderia ser adquirida a preços atraentes, por ser de difícil comercialização. "Naquela época eu ainda não sabia se ia conseguir", diz.
Conseguiu, mas não sem enfrentar percalços e suspeitas. Festejado por muitos como um desprendido benfeitor das artes, mas visto por alguns como um excêntrico desmedido, ele despertou desconfianças quando, em meio a dificuldades, decidiu vender boa parte do seu acervo com a mesma agressividade com que comprara.
"Vendi para continuar construindo o museu", justificou-se em entrevista à Folha, concedida em sua casa, em Inhotim. "E depois recomprei muita coisa." Há quem diga que ele aceitou preços menores do que os que havia pago. Ele relativiza: "Quando o objetivo é maior, qualquer coisa que se diga é menor do que o objetivo. Não me preocupa o que disseram, mas o que Inhotim representa hoje para o Brasil".

Doação

O mais importante centro de arte contemporânea do país -e um dos melhores do mundo- vem passando por um processo de formalização institucional. Já há seis anos, a direção artística está nas mãos de um trio de curadores formado pelo americano Allan Schwartzman, pelo alemão Jochen Volz (também cocurador da Bienal de Veneza) e pelo mineiro Rodrigo Moura.
Os próximos passos vão na direção de aprofundar a dimensão pública do museu e de criar condições para que se sustente ao longo do tempo. Estão em curso estudos para um "endowment" (fundo de manutenção) e para transformar Inhotim em organização social de interesse público. Em breve, dez obras do colecionador serão doadas ao instituto, que nos últimos 12 meses atraiu 211 mil visitantes -sendo 38 mil estudantes.
Hoje, a manutenção de Inhotim beira os R$ 20 milhões por ano, valor basicamente coberto, segundo o empresário, por recursos provenientes de seus negócios. Captações por lei de incentivo representam 5%. Para se ter um parâmetro, a Pinacoteca de SP, ressalvando-se as diferenças, tem um custo anual semelhante.
Paz diz que "há muitos gênios nos botequins" e que o importante é a persistência -característica que experimenta com tormento: "É um sofrimento que não me deixa dormir. A felicidade é minha família. O resto é angústia, ansiedade e inquietude".

BARNEY E CURADORA DA TATE FORAM LÁ

O norte-americano Matthew Barney chegou sem a mulher Björk para o show de Arto Lindsay, parceiro em "De Lama Lamina". Entre outros nomes, Inhotim recebeu curadores como Julieta González, da Tate Modern, Daniel Birnbaum, da Bienal de Veneza, e o diretor da Pinacoteca do Estado, Marcelo Araujo
"Eu tinha de provar alguma coisa a meu pai"

A seguir, declarações do empresário Bernardo Paz sobre temas levantados na entrevista que concedeu à Folha.

PAI E MÃE
Não podemos falar sobre nós mesmos sem voltarmos aos nossos antepassados, ao nosso DNA. Sou filho de um engenheiro que me ninou até os sete anos de idade com o Hino Nacional, da Bandeira, da Independência e de escoteiros...
Meu avô foi o general Manoel Paz, lugar-tenente do marechal Rondon, homem fundamental para fixar as fronteiras do país. Isso explica o patriotismo de meu pai. Já minha mãe era uma pessoa mais frágil, sensível, poeta, que também pintava. Dela eu herdei o gosto pela agudez da beleza.
Uma pessoa criada por esses dois polos antagônicos perde a noção de uma vida cartesiana. Eu fui transformado numa pessoa extremamente inquieta e ansiosa. A ponto de chegar aos 18 anos de idade em desespero. Eu não entendia como poderia ser alguém na vida, dentro das expectativas que foram criadas na minha cabeça. E é claro que isso te obriga a avançar sinais, a subir montanhas com mais rapidez, sem se aperceber que é uma coisa fora do normal.

CASAMENTO
Estou no quinto casamento. O primeiro foi em 1973. Fomos passar a lua de mel em Acapulco e nos puseram num hotel horrível. Peguei um jipe e fui procurar outro lugar. De repente, passei por um muro grande com luzes atrás. Parei, subi no jipe e vi, por cima do muro, um grande jardim, que era a coisa mais linda do mundo. Tinha uma orquestra e gente dançando. Aquele era o mundo que eu queria para todas as pessoas. Era o Acapulco Princess, que estava sendo inaugurado.

ESTILO
Eu nunca me preocupei com isso, sempre usei cabelo grande, desde os 16 anos. Meu estilo veio de um desligamento total... Ou pode ter sido alguma coisa da minha geração. Eu assisti ao festival de Woodstock e achei aquele movimento fantástico.
Eu era um rapaz muito bonito. Mas tinha vergonha da minha beleza. Havia um ditado de que pessoas bonitas não precisavam fazer muito esforço, em especial para conquistar pessoas do outro sexo. E que pessoas bonitas são burras...
Eu me via, então, não como um homem bonito mas como alguém inferior, que tinha de provar que era uma pessoa normal. Essa luta foi tão avassaladora que eu constituí 39 empresas e coloquei 9 mil pessoas para trabalhar. Fui um pioneiro em fazer negócios com a China e viajei pelo mundo todo.
Tinha que provar alguma coisa, provavelmente para meu pai. Mas isso passou com o tempo. Perdi a inibição, comecei a ter facilidade de locomoção nos países aonde ia, era admirado pelas pessoas e me transformei numa pessoa treinada.

EFICIENTE
Eu fui trabalhar com 15 anos de idade num posto de gasolina, depois numa butique de roupa, depois na Bolsa de Valores. Em todos esses lugares fui extremamente eficiente.
Cresci depressa como industrial, tornei-me um dos maiores do Brasil no final dos anos 70 e início dos 80, na área de minério. Mas enfrentei muitas dificuldades com todos esses planos que valorizaram o câmbio para segurar a inflação. Isso é uma tragédia para a economia do país e para quem exporta.

FUTURO
Inhotim não é uma coisa para ficar pronta, eu nunca vou ver isso ficar pronto, é uma das tristezas que eu tenho na vida. Isso aqui não tem fim.

POR QUE INHOTIM?
Lembra-se do jardim de Acapulco? Da beleza? Dos hinos? Da glória? Tudo para mim tinha que ter um sentido. .

Um comentário:

  1. maria do socorro paz10 de fevereiro de 2010 20:29

    Boa noite! fiquei curiosa pelo seu eu , posso até ta errada , mais queria tirar uma dúvida , vc é filho do General Manoel Paz de Lima que foi prefeito interventor de Campina grande?
    Socorro paz

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