domingo, 3 de janeiro de 2010

Semana de Arte Moderna - Última Parte...

Desdobramentos

Vale ressaltar, que a Semana em si não teve grande importância em sua época, foi com o tempo que ganhou valor histórico ao projetar-se ideologicamente ao longo do século.
Devido à falta de um ideário comum a todos os seus participantes, ela desdobrou-se em diversos movimentos diferentes, todos eles declarando levar adiante a sua herança.
Ainda assim, nota-se até as últimas décadas do Século XX a influência da Semana de 1922, principalmente no Tropicalismo e na geração da Lira Paulistana nos anos 70 (Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros).
O próprio nome Lira Paulistana é tirado de uma obra de Mário de Andrade.
Mesmo a Bossa Nova deve muito à turma modernista, pela sua lição peculiar de "antropofagia", traduzindo a influência da música popular norte-americana à linguagem brasileira do samba e do baião.

Entre os movimentos que surgiram na década de 1920, destacam-se:

Movimento Pau-Brasil
Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta
Movimento antropofágico

A principal forma de divulgação destas novas idéias se dava através das revistas. Entre as que se destacam, encontram-se:

Revista Klaxon





















Klaxon foi uma revista mensal de arte moderna que circulou em São Paulo de 15 de maio de 1922 a janeiro de 1923.
Seu nome é derivado do termo usado para designar a buzina externa dos automóveis.
O principal propósito da revista foi servir de divulgação para o movimento modernista, e nela colaboraram nomes como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Sérgio Buarque de Holanda, Tarsila do Amaral e Graça Aranha, entre outros artistas e escritores.
Também destacam-se na revista a busca pelo atual; o culto ao progresso; a concepção de que a arte não deve ser uma cópia da realidade; aproveitamento das lições de uma nova arte em evidência, o cinema.

Revista de Antropofagia





















Revista de Antropofagia foi uma publicação surgida como conseqüência do Manifesto Antropófago escrito por Oswald de Andrade.
A revista de Antropofagia teve duas fases, ou "dentições", como queriam os seus participantes.
A primeira "dentição", sob a direção de Alcântara Machado e Raul Bopp, teve dez números publicados, que circularam de maio de 1928 a fevereiro de 1929.
Nessa primeira fase os principais colaboradores foram: Plínio Salgado, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Murilo Mendes, Augusto Meyer, Pedro Nava etc.
Como se pode ver, os autores que escreveram nessa primeira fase da Revista de Antropofagia representam a "nata" do primeiro momento modernista.
Já a segunda "dentição", sob liderança de Geraldo Ferraz, teve 15 números publicados no jornal "Diário de São Paulo".
O primeiro número foi publicado em 17 de março de 1929 e o último, em 1 de agosto de 1929.
A primeira fase da revista não tinha uma linha ideológica bem definida.
Em seus exemplares eram encontrados artigos de Oswald de Andrade e de Mário de Andrade que "contrastavam" com poesias típicas da Escola das Antas.
"A revista de antropofagia não tem orientação ou pensamento de espécie alguma: só tem estômago"
A segunda fase, ou dentição, da revista apresentava uma linha ideológica mais definida.
Essa fase é marcada por críticas agressivas a literatos e artistas modernistas.
"Não fazemos crítica literária. Intriga, sim!" Freuderico - pseudônimo de Oswald de Andrade.
Toda essa agressividade de Oswald acaba por causar uma ruptura com vários colaboradores da Revista, como por exemplo: Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade.
Os "antropófagos" que continuaram nessa segunda fase foram: Oswald de Andrade, Raul Bopp, Geraldo Ferraz, Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão (Pagu).
A atuação da revista nessa segunda fase não foi apenas no campo literário. Os "antropófagos" passaram a direcionar suas críticas contra: à sociedade, à cultura em geral e à história do Brasil.

Fonte: Wikipédia.

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