quinta-feira, 18 de março de 2010

Proposta para Rio 2016 busca valorizar paisagem...

Além das medalhas e recordes que entram para a história do esporte, os Jogos Olímpicos costumam deixar sua marca nas cidades-sedes, com a herança dos conjuntos de edificações e equipamentos onde se realizam as competições.
Algumas cidades aproveitaram para promover verdadeiras renovações urbanísticas - um dos casos mais emblemáticos é Barcelona, que abrigou o evento em 1992.
Em outras, o impacto durou pouco mais que o intervalo de tempo dos jogos.
E qual será o legado urbanístico-arquitetônico que a Olimpíada de 2016 deixará para o Rio de Janeiro?
Segundo o plano oficial da candidatura carioca, esse legado terá, na maior parte das instalações, o DNA arquitetônico do escritório BCMF Arquitetos, de Belo Horizonte.
Bruno Campos, Marcelo Fontes e Sílvio Todeschi são os autores dos projetos de arquitetura e Carlos Teixeira desenvolveu o paisagismo.
Ficaram responsáveis pelo gerenciamento e pela coordenação geral dos trabalhos Alexandre Techima (diretor de infraestrutura), Elly Resende (gerente geral), Ângela Ferreira (gerente de planejamento arquitetônico) e Rodrigo Garcia (gerente de planejamento operacional do comitê da candidatura).
Um dos sócios do BCMF, Bruno Campos informa que o escritório foi contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) após processo seletivo público realizado pela instituição no primeiro semestre de 2008 e aberto às empresas da área.
“Nós nos habilitamos em função do currículo e do know-how adquirido em diversos projetos de instalações esportivas e de grande escala desenvolvidos nos últimos anos.
Fizemos a proposta técnica e de preço que melhor atendia às regras estabelecidas”, argumenta.
Campos conta que, a partir da escolha, os sócios decidiram fechar o escritório para novos clientes e dedicar-se exclusivamente aos projetos da candidatura à sede da Olimpíada.
“Ficamos por conta dessa proposta praticamente um ano, trabalhando em estreita colaboração com a equipe Rio 2016 e seus consultores internacionais [EKS/JBD], atendendo a suas diretrizes e pré-requisitos”, revela.
O arquiteto chama a atenção para o fato de que o projeto de instalações esportivas do porte da Olimpíada exige, antes de tudo, o atendimento a pré-requisitos, regulamentos e orientações de dezenas de instituições nacionais e internacionais.
Uma das particularidades, ele explica, é ter que satisfazer exigências e demandas para a ocupação por eventos internacionais de curta duração e ao mesmo tempo permanecer como um legado viável em termos de manutenção e gerenciamento, funcionando posteriormente como clube de treinamento, escola esportiva etc.
O escritório procurou valorizar e enfatizar a paisagem do Rio de Janeiro, relata Campos.
“Dessa forma, diferentemente da abordagem de estruturas icônicas adotada em Pequim, procuramos privilegiar a integração das instalações com o contexto urbano e natural da cidade e a relação dos edifícios entre si.
A tradição da arquitetura moderna carioca, do período dos anos 50, envolvida pela natureza e pelo paisagismo exuberante, é uma referência constante para nós, não só neste projeto, mas desde sempre”, conclui o arquiteto.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 359 Janeiro de 2009

Um comentário:

  1. Realmente a proposta arquitetônica Rio 2016 é muito interessante. As mudanças previstas para o cenário urbano carioca são grandes desafios. No Portal Flex Eventos tem outra matéria a respeito.

    http://www.flexeventos.com.br/secoes/artigos/455,rio-2016.aspx

    ResponderExcluir