segunda-feira, 5 de abril de 2010

Gentileza urbana - Bom lugar de estar...

Se cada um faz um pouquinho, a vida urbana fica muito mais agradável.
Conheça exemplos de atitudes simples que alegram as cidades e seja gentil com a sua também.
por Priscilla Santos.

Inspire-se

Os premiados (assim como outros exemplos de gentilezas que você vê nas páginas desta reportagem) nos mostram que ser cordial com a cidade pode ser bem simples. Em certos casos, você nem precisa sair muito da rotina para ser gentil. Às vezes basta, digamos, posicionar-se melhor, como o músico José Ladislau da Silva, o Seu Juju. Ele poderia ter ensaiado suas apresentações num conservatório. Em vez disso, resolveu tocar trompete na sacada do 12º andar de seu apartamento, em Belo Horizonte. Fez isso durante anos, nos fins de tarde, levando alegria às pessoas que passavam por ali, atitude que lhe rendeu o Prêmio IAB Gentileza Urbana em 1996. A música ao cair da tarde só cessou com o falecimento do músico.
Ficou o exemplo. Tão bom quanto o dos sinos do Mosteiro Beneditino Nossa Senhora das Graças, na mesma cidade, premiado um pouco antes, em 1994. Na época de sua construção, em 1949, o mosteiro ganhou uma torre que não suportou o peso dos cinco sinos doados ao local nos anos 60 por uma família que preferiu manter-se no anonimato. A encomenda, vinda da Alemanha, demorou cinco meses para chegar ao destino, mas logo teve que ser posta de lado: a torre balançou com o peso e os sinos foram retirados. Somente em 1980 foi conseguido apoio para reforçar a construção e, "para nossa alegria", como diz a irmã Agostinha, os sinos nunca mais pararam de tocar. Aos domingos e em dias de festas religiosas os moradores das imediações escutam as badaladas romperem a mata que cerca o mosteiro, no alto de uma colina, e invadirem as ruas do bairro Vila Paris.

Mas não é preciso botar a mão no bolso para fazer à cidade uma doação, que é o espírito da gentileza urbana. Quer tornar seu quarteirão mais agradável? Que tal aparar a grama da calçada, separar o lixo ou pintar a fachada de casa? O primeiro passo é perceber que você pode fazer algo pela cidade e ficar atento às suas possibilidades. Foi assim que nasceu o Teatro na Janela, uma série de esquetes que a Cia. Artesãos do Corpo apresentou toda quarta-feira, durante dois anos, da janela de um prédio do centro de São Paulo. Da calçada do outro lado da rua, moradores e transeuntes desavisados paravam para olhar o teatro que saía da janela. As apresentações não duravam mais do que dez minutos, mas serviam para fazer as pessoas interromperem seus trajetos apressados, alheias ao que as cercava, e recuperar o hábito de estar na cidade, contemplando o que acontece. Volta e meia, o grupo se reúne novamente, para uma "teatrada" esporádica. Nunca se sabe quando. Melhor assim, por conta do inesperado.

Maceió também contabiliza uma doação artística, que no ano passado ficou entre os dez ganhadores do Prêmio Gentileza local. No bairro Jaraguá, onde nasceu a cidade, um grupo de 36 artistas plásticos pintou painéis influenciados pela arte naïf, xilogravura e pintura afro, uma galeria a céu aberto onde antes só se via o cimento cinza dos muros dos trapiches e armazéns de mercadorias.

Aliás, surpreender é uma das maiores delícias das gentilezas urbanas. Que o diga um morador da também paulistana Vila Mariana. Num dia de 1983, Airton Camargo topou com os portões de um casarão da rua Santa Cruz abertos. Resolveu entrar e conferir o que mais havia além das árvores frutíferas que transbordavam do lote de 13 mil metros quadrados e deparou com a primeira edificação modernista do país, uma casa erguida em 1927 e esquecida no meio do mato. No mesmo dia, soube que os proprietários do terreno o haviam vendido para a construção de um prédio e decidiu agir. Juntou moradores da região e formou a Associação Pró-Parque Modernista, que lutou para que o imenso quintal virasse um parque público. E assim foi. Em 1986, o local foi tombado como bem de importância nacional. Airton o chama de parque da contemplação, "o lugar ideal para passear com o filho, ler jornal. Quem entra tem que andar em um novo ritmo, pelos caminhos de pedra". Um ambiente intimista e acolhedor, assim como só mesmo o quintal de casa.

Fonte: Internet.

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