sábado, 4 de setembro de 2010

“Carta Verde” para a Copa 2014...

“A Copa 2014 será verde como as nossas florestas”.
A frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferida em Johanesburgo no dia 8 de julho, sintetiza o desejo manifesto pelos brasileiros em relação a uma das principais conquistas que, espera-se, a realização do mundial de futebol em nosso país deve proporcionar.
Sintetiza também a importância que a questão da sustentabilidade vem ganhando a cada campeonato mundial de futebol realizado pela Fifa.
Em sintonia com essa aspiração manifesta e formalmente incluída entre as preocupações da Fifa/CBF e das autoridades brasileiras com a sustentabilidade, o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) lançou o manifesto pela Copa Verde no Brasil, batizado de “Carta Verde para a Copa 2014”.
Segundo o presidente do Sinaenco, João Alberto Viol,
“a sustentabilidade deve nortear todos os projetos para a infraestrutura brasileira para a Copa 2014, incluindo estádios e demais áreas, com destaque para o saneamento, uma das principais lacunas do país nessa questão”.

Conheça os doze tópicos da Carta:

1- Pautar pela sustentabilidade os investimentos em arenas, infraestrutura e outros empreendimentos voltados para a Copa, a partir das concepções dos projetos, abrangendo as diversas dimensões da intervenção sobre o meio ambiente.

2- Orientar os empreendimentos pelos princípios e normas da construção sustentável e, principalmente, aproveitar as águas das chuvas, assim como o reuso da água tratada, minimizar o consumo de energia elétrica, utilizar fontes renováveis e materiais recicláveis, inclusive o material de demolição dos estádios, e reduzir a emissão de gases geradores do efeito estufa.

3- Priorizar, nos projetos de mobilidade, as modalidades de uso coletivo e movidos por biocombustíveis ou eletricidade, com redução do uso de combustíveis não renováveis.

4- Utilizar o projeto de arquitetura e engenharia como a ferramenta capaz de melhor compatibilizar, num empreendimento, a intervenção física e a dimensão ambiental, trabalhando para a redução e mitigação de impactos.

5- Inserir mecanismos na Lei de Licitações que incentivem as compras sustentáveis. Instituir incentivos fiscais e financiamentos especiais para empreendimentos sustentáveis.

6- Priorizar a construção de estruturas permanentes, e não provisórias, quando, analisadas as reais demandas, são necessários investimentos na ampliação da infraestrutura, no intuito de oferecer um verdadeiro legado para a população.

7- Ampliar a capacidade hoteleira de maneira sustentada, de forma que instalações não fiquem ociosas no pós-Copa.

8- Aproveitar o momento oportuno de coesão nacional para o desenvolvimento de amplas campanhas educativas, com foco em reciclagem e economia de recursos renováveis e não-renováveis.

9- Priorizar mão de obra local, quando for suficiente para atender as demandas, minimizando a imigração para as áreas das obras para as quais não haja sustentabilidade de empregos .

10- Valer-se do momento oportuno para despoluir os ícones turísticos – baías, lagos, rios - de cada cidade-sede e desencadear o processo de despoluição do litoral brasileiro.

11- Promover a universalização do saneamento básico no país, fundamentalmente nas 12 cidades-sede e suas regiões metropolitanas.

12- Aprimorar a limpeza urbana, com inserção de pontos de reciclagem nas cidades-sede.

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